A crise no Olympique de Marselha ganhou um novo capítulo após a derrota por 2 a 0 diante do Lorient, no último sábado. Em tom contundente, o diretor Mehdi Benatia não poupou o elenco: “Eles não me enganam”, disse, criticando a falta de combatividade em uma partida que, segundo ele, teve pouco comprometimento tático e físico. O revés amplia a série negativa: são três derrotas em quatro jogos, um desempenho incompatível com as expectativas do clube.

Benatia foi enfático ao qualificar atos dos jogadores como inexplicáveis e exigiu postura: falou em necessidade de mentalidade, amor‑próprio e senso de responsabilidade. O dirigente afirmou que a direção não se incomoda com mudanças de treinador ou avaliações sobre contratações, mas que a forma como a equipe tem entrado em campo exige uma resposta imediata. Para isso, anunciou aumento da rotina de treinos e maior convívio no centro de treinamento: “Não façam planos para as próximas quatro semanas”, avisou.

Além do desgaste interno, a consequência aparece na tabela: o Olympique ocupa a quarta colocação, com 52 pontos, 11 a menos que o líder PSG, que tem três jogos a menos. O contraste com o rival reforça a pressão sobre comissão técnica e jogadores num momento decisivo da temporada. A cobrança pública de um diretor e ex‑jogador como Benatia tende a reduzir a margem de manobra da diretoria e a acelerar exigências por respostas em campo.

A postura adotada pela direção marca uma tentativa de retomar controle sobre o ambiente esportivo e recupera o discurso de exigência que acompanha clubes em situação de crise. Resta ao elenco transformar a cobrança em reação imediata; sem sinais de melhora, a sequência de resultados e a exposição pública das falhas prometem aprofundar o desconforto político e esportivo no clube.