O amistoso de pré-temporada entre Benfica e Flamengo esquentou nos minutos finais do primeiro tempo, quando a entrada de Prestianni — que começou no banco de reservas — originou duas faltas marcadas em sequência e uma discussão acalorada entre as comissões técnicas. O confronto no gramado escalou para o banco e durou cerca de dois minutos, segundo apuração.

Prestianni, alvo de vaias nas arquibancadas rubro-negras desde sua entrada, vinha de punição da Uefa por conduta discriminatória contra Vinícius Júnior, fato que ainda repercute e intensificou a reação do público. Na partida desta terça, as entradas de Emerson Royal e de Pulgar sobre o meia argentino foram o estopim para o confronto verbal entre integrantes das equipes.

Do lado do Flamengo, o treinador Leonardo Jardim e membros de sua comissão trocaram farpas com auxiliares do técnico Marco Silva. A discussão terminou sem expulsões, mas deixou claro o clima sensível em amistosos de preparação quando há antecedentes de ofensas graves. O episódio também remete às mudanças nas normas do jogo que passaram a punir gestos para ocultar ofensas, implementadas recentemente pela International Football Association Board.

Mais do que um puxão de orelhas tático, o confronto expôs o efeito prolongado de casos de racismo no futebol europeu e a atenção extra que recai sobre jogadores e clubes em jogos oficiais e de exibição. Para as equipes, fica o desafio de manter a concentração e evitar que tensões extracampos contaminem a preparação para a temporada.