Marcelo Bielsa usou a sua coletiva de despedida do comando da seleção do Uruguai para rebater a nota do Flamengo que classificou como “irresponsável” o processo de recuperação de Giorgian Arrascaeta. Após a eliminação na fase de grupos da Copa, o técnico procurou esclarecer a cronologia das lesões e a decisão técnica de não levar o meia a campo nas três partidas da Celeste.
O clube carioca havia afirmado que protocolos médicos específicos não teriam sido respeitados no tratamento de uma fratura na clavícula sofrida por Arrascaeta em maio. Bielsa negou qualquer conexão entre esse episódio e a lesão na panturrilha que deixou o jogador sem condições de jogo durante o torneio. Segundo o treinador, coube ao atleta optar por treinar, com a equipe técnica autorizando um processo gradativo de retorno, mas sem garantias de participação imediata.
Na explicação sobre avaliação física, Bielsa destacou que Arrascaeta chegou ao período pré‑Copa com limitações e que, depois de dois meses sem ritmo de treinos completos e apenas dias antes da eventual partida decisiva, a probabilidade real de utilizá‑lo era reduzida. O técnico elogiou tanto a postura do jogador quanto a gestão feita pelo Flamengo, reconhecendo o trabalho do clube na recuperação e a conduta profissional do atleta.
Além de defender o departamento médico uruguaio, Bielsa destacou nomes do Flamengo que tiveram papel relevante na campanha: De La Cruz, pela evolução física nas semanas com a seleção, e Varela, pela entrega em campo. O pronunciamento fecha a passagem de Bielsa pela seleção num momento de frustração esportiva, mas também de defesa pública da sua equipe técnica diante do embate com o clube brasileiro.