No Maracanã lotado, o Boca Juniors confirmou nesta terça-feira a fama que o acompanha em decisões contra o futebol brasileiro. A vitória por 3 a 1 sobre o Vasco não foi apenas o fim da campanha cruzmaltina na Copa Sul-Americana: foi a 19ª classificação dos argentinos em 27 duelos eliminatórios contra clubes do Brasil, um aproveitamento de 70,4% que reforça a dimensão continental do adversário.
O confronto teve desfecho rápido: aos quatro minutos, depois de cobrança de escanteio pela esquerda, Lautaro Di Lollo subiu de cabeça e abriu o placar, devolvendo ao Boca a vantagem no agregado. Aos 33 minutos, Sebastian Villa participou da jogada que terminou com Miguel Merentiel ampliando para os visitantes, antes que o Vasco diminuísse na etapa final, já beneficiado pelas mudanças promovidas por Pedro Emanuel. O resultado consumou a eliminação do time carioca, que havia triunfado na Bombonera uma semana antes.
O histórico entre Boca e clubes brasileiros é marcado por episódios emblemáticos — vitórias em Morumbi, no Olímpico e no Mangueirão constam entre os capítulos que alimentam o receio dos rivais —, mas também por oscilações recentes: desde 2021, times como Santos, Atlético-MG, Corinthians, Cruzeiro e Fluminense conseguiram superar os argentinos em mata-matas. Ainda assim, a sequência atual mostra que a tradição do Boca em confrontos eliminatórios não pode ser subestimada.
Há consequências práticas: o adversário na final da Sul-Americana pode ser outro clube brasileiro. O Atlético-MG viaja ao Centenário com vantagem de 3 a 0 após triunfo na Arena MRV e pode encarar o Boca em mais um duelo decisivo do continente. No plano doméstico, a disputa judicial que arrastou a confirmação do Maracanã para a partida — e a ameaça da Conmebol de transferir o jogo — também deixou sequelas na logística e na ansiedade da torcida vascaína. Em campo, sobrou a sensação de que derrotas como esta expõem falhas táticas e de concentração que precisarão ser corrigidas por Pedro Emanuel e diretoria.