Vinte anos depois, a conquista da Libertadores de 2006 segue viva na memória de quem esteve nos bastidores. Bolívar, então zagueiro do Internacional, contou que fez uma espécie de prognóstico com o atacante Michel: em um papel, os dois colocaram os adversários que imaginavam enfrentar até a final — e, segundo ele, a última linha apontava justamente o São Paulo. O bilhete foi escondido no vão da cortina da concentração e, desde então, nunca mais foi recuperado.
A coincidência entre a previsão e o caminho real do Inter deu ainda mais força à recordação. A campanha terminou com vitória no Morumbi por 2 a 1 e empate por 2 a 2 no Beira-Rio. Para Bolívar, uma das imagens mais marcantes foi a mobilização dos torcedores nos dias que antecederam a decisão: jogadores assistiram de sacadas ao movimento de colorados acampados em busca de ingresso, numa cena que ele descreve como um 'mar vermelho' em volta do estádio.
Além da lembrança afetiva, o ex-jogador relatou a tentativa do clube de negociar com o Monaco para ficar e disputar o Mundial de clubes — acordo que não foi concretizado. Mesmo assistindo à competição de longe, em Mônaco, Bolívar diz que carrega a sensação de ter participado da base que levou o clube ao título internacional, um sentimento compartilhado por torcedores que o reconhecem como parte daquela geração.
O 16 de agosto ganhou contornos pessoais: a data do título coincidiu com o aniversário de um filho, e Bolívar recorda episódios familiares que marcaram a carreira, como a previsão de um gol no bicampeonato e as brincadeiras que acabaram virando história. Ao resgatar o bilhete escondido e os dias de concentração, o ex-zagueiro transforma um detalhe íntimo em mais um capítulo da memória coletiva colorada.