Pênalti geralmente é quase garantia de gol — exceto quando o adversário tem pela frente Yassine Bono. Nas quartas de final contra a França, o goleiro marroquino defendeu a cobrança de Kylian Mbappé e reforçou um retrospecto raro: em nove cobranças enfrentadas em Copas do Mundo, sofreu apenas dois gols.
O desempenho de Bono em penalidades combina defesas efetivas e um pouco de sorte coletiva: além das quatro defesas registradas, duas cobranças acertaram a trave e uma foi para fora. A sequência inclui momentos decisivos, como a disputa contra a Espanha no Mundial do Catar, quando parou duas cobranças e viu outra bater na trave, ajudando o Marrocos a avançar.
Nesta edição, o goleiro voltou a ser peça-chave em uma disputa por pênaltis diante da Holanda, quando os neerlandeses converteram apenas dois de cinco chutes, mandaram um na trave, outro para fora e tiveram um arremate defendido por Bono. Contra a França, a defesa sobre Mbappé no primeiro tempo foi a primeira defesa do arqueiro em cobrança durante o tempo regulamentar nesta Copa.
Além do mérito individual, o histórico de Bono traz efeito prático: impõe pressão psicológica sobre cobradores e dá margem à seleção marroquina para apostar em organização tática e calma sob tensão. Para a França, a perda da cobrança de Mbappé — que busca a artilharia do torneio — foi um momento que alterou a dinâmica imediata da partida.