Horas antes da final da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina, o atacante Borja Iglesias usou as redes sociais para criticar os valores praticados na revenda de ingressos. Ao compartilhar um print da plataforma SeatPick, ele resumiu a reação em poucas palavras, apontando o que muitos consideram prática abusiva no mercado secundário.

O print mostrado por Borja indica que a entrada mais barata disponível na revenda custava US$ 9.309 — pouco mais de R$ 47,5 mil — enquanto os bilhetes mais caros chegavam a US$ 49.384 (cerca de R$ 252 mil). Em paralelo, a plataforma oficial de revenda supervisionada pela Fifa, que aplica uma comissão de 15%, teve ofertas de lotes exclusivos cotados por valores que ultrapassaram R$ 11 milhões, segundo relatos publicados.

Uma vergonha!

A alta volatilidade dos preços reflete a dinâmica de procura e oferta às vésperas de um jogo de grande demanda, mas também abre espaço para críticas sobre acessibilidade e especulação. Torcedores e jogadores têm reagido ao que classificam como concentração de ingressos nas mãos de intermediários dispostos a praticar preços proibitivos, cenário que se repete em eventos de grande apelo internacional.

A repercussão expõe uma contradição: enquanto a Copa é vendida como celebração global do futebol, os valores praticados no mercado secundário tornam o acesso praticamente impossível para a maior parte do público. A denúncia pública de um jogador com visibilidade amplia o debate sobre transparência nas vendas e o papel das plataformas que mediam a revenda — e sobre até que ponto medidas de regulação podem ser necessárias para conter a especulação.