O Botafogo sofreu uma derrota por 6 a 1 para o Cienciano, em Cusco, e chega ao jogo de volta com uma missão praticamente impossível: reverter um déficit de cinco gols nas oitavas de final da Sul-Americana. O placar espelha um jogo em que o clube carioca jamais encontrou equilíbrio, tanto físico quanto tático, diante de um adversário adaptado à altitude.
Franclim Carvalho escalou um time misto e apostou em laterais diferentes — Ponte e Marçal — e nos atacantes Matheus Martins e Kadir. As mudanças, justificadas pela comissão técnica pela forma de jogo do rival, saíram pela culatra: as laterais foram pontos de desequilíbrio e o meio-campo, pouco combativo, ficou exposto. Aos sete minutos Marçal já demonstrou desconforto com a altitude, e quatro dos seis gols do Cienciano saíram em cruzamentos explorando esse espaço.
O jogo teve lances que sintetizam a queda alvinegra: um cabeceio para abrir o placar, um gol contestado que passou por checagem do VAR, falha de Warleson no terceiro e um chute de fora de área que ampliou a vantagem. Arthur Cabral e Kauan Toledo tentaram mudar o ritmo, mas pouco produziram. Matheus Martins marcou de bola parada no segundo tempo e deu um lampejo de reação, insuficiente diante da fragilidade defensiva que seguiu permitindo ataques e finalizações perigosas — houve zero escanteios para o Botafogo contra 14 do Cienciano.
O resultado acende um sinal de alerta sobre as escolhas de comissão técnica e a preparação física para jogos em altitude. Além de comprometer a sequência na Sul-Americana, a goleada aumenta a cobrança interna e externa: a volta no Nilton Santos transforma-se em obrigação e expõe falhas estruturais que precisam ser corrigidas de forma rápida e prática.