Poucos jogos ficam na memória pelo placar quando o desempenho cria a sensação de oportunidade perdida. No empate em 0 a 0 com o Vitória, no Nilton Santos, o Botafogo teve a maior parte da posse e as melhores chances, mas voltou a deixar pontos em casa ao não transformar superioridade em gols.

O principal responsável pelo resultado foi o goleiro Lucas Arcanjo, eleito o melhor em campo após uma noite inspirada: contabilizou seis defesas decisivas e impediu que a pressão alvinegra se convertesse em vitória. Do outro lado, a estreia segura de Warleson na meta do Botafogo foi um ponto positivo entre as raras intervenções defensivas de real risco.

No setor de criação, Montoro se destacou ao funcionar como articulador e segundo volante, e Arthur Cabral fez a referência no ataque. Ainda assim, as pontas — especialmente Villalba e Matheus Martins — não transformaram as jogadas em finalizações eficazes. A entrada de Danilo, marcada pela polêmica do 13º jogo, pouco acrescentou; outras trocas feitas por Franclim reduziram a intensidade e mudaram o repertório ofensivo do time.

O empate custa caro na tabela: com 19 partidas, o Botafogo soma 26 pontos e poderia ter chegado a 28, ficando mais próximo do G6. Mais do que pontuar, a equipe precisa ajustar a efetividade nas pontas e o momento das substituições para que o domínio em campo passe a resultar em vitórias.