John Textor assumiu tom direto na assembleia convocada pelo Botafogo e deixou claro que se colocou como a alternativa principal para injetar recursos no clube. O empresário disse preferir permanecer no comando, mas admitiu abrir mão caso a autorização para o aporte não avance e outra parte queira pagar as contas do time.
A reunião presencial do dia 20 não teve o quórum esperado e foi marcada pela insatisfação de Textor com a ausência de representantes executivos da Eagle Bidco — que enviaram apenas advogados. A direção marcou nova AGE para 27 de abril; o investidor afirmou que, independentemente de se manter à frente, o essencial é que haja capital entrando na SAF.
A proposta apresentada prevê US$ 25 milhões em equity, estruturados inicialmente por meio de uma empresa vinculada às Ilhas Cayman, segundo o material entregue ao associativo. Como o clube social detém 10% da SAF, qualquer emissão de ações e mudança societária depende da aprovação dos sócios associativos, o que coloca a oferta em impasse político-regulatório.
Textor advertiu que, sem a via do equity, só restaria transformar o aporte em dívida — solução que classificou como insalubre para as finanças do clube. O argumento ganha peso diante do momento delicado vivido pelo Botafogo: na semana anterior o clube sofreu um transfer ban pela CNRD por atraso no pagamento a credores, medida que impede registro de novos atletas por seis meses.
O tableau é simples e perigoso: falta de consenso entre acionistas, necessidade urgente de capital e uma sanção que compromete planejamento esportivo. A próxima AGE será, portanto, um teste de governança da SAF e de quanto os sócios associativos e demais investidores estão dispostos a priorizar estabilidade financeira e competitividade em campo.