O placar mínimo em General Severiano — 1 a 0 sobre a Chapecoense — não traduziu o que o time de Tite tentou impor no sábado: 21 finalizações e constância territorial. O triunfo trouxe alívio pelo fim de um período sem gols de atacantes, mas também expôs um problema técnico que vem se agravando desde o início do returno.

No primeiro turno, o Botafogo era sinônimo de aproveitamento: 237 finalizações e 33 gols, média de 7,18 chutes por gol, desempenho que o colocava entre os ataques mais eficientes, ao lado do Palmeiras. Dados do site Gato Mestre revelam que o time carioca precisava de menos tentativas para marcar do que a maior parte dos rivais.

O quadro, porém, inverteu-se com a sequência de jogos do segundo turno. Em 11 gols marcados até agora, a equipe soma 188 finalizações — isto é, média de 17,09 chutes por gol — e aparece na parte baixa do ranking de eficiência, só à frente do Bragantino nesse critério. O time subiu de 11.º para 5.º em volume de finalizações, mas caiu muito em aproveitamento. Tite elogiou o volume e justificou a falta de gols em boa atuação do goleiro adversário e na necessidade de ajustes táticos e de condicionamento de peças como Ziyech.

A perda de contundência diante do gol tem implicações práticas para a reta final: converter domínio em placares mais folgados é essencial para manter sequência de vitórias e reduzir risco de empates ou derrotas nos confrontos diretos. O desafio agora é transformar pressão em eficiência ofensiva antes do duelo com o Internacional, no Beira-Rio, pela 32.ª rodada.