A redução gradual do limite de jogadores estrangeiros relacionados por partida no Brasileirão, aprovada pelos clubes nesta segunda-feira, virou alvo de críticas de José Boto, diretor de futebol do Flamengo. Boto afirmou que a mudança — que prevê reduzir de nove para oito em 2027 e chegar a cinco em 2030 — tende a enfraquecer a competição, porque dificultará a retenção de atletas de maior valor diante das ofertas europeias.
O dirigente, que se identificou como estrangeiro com experiência em outras ligas, disse respeitar os estudos que embasaram a proposta, mas avaliou que a medida pode acarretar queda de qualidade. Flamengo e Bahia votaram contra a alteração. A CBF definiu a redução gradual justamente para minimizar impactos com contratos vigentes, segundo os clubes que aprovaram a mudança.
Além da limitação por estrangeiros, os clubes aprovaram alterações nas inscrições: elencos poderão ter até 50 atletas a partir do ano que vem, com ao menos 20 jogadores com até 23 anos — meta que deve evoluir até 2030, quando se espera chegar a 25 atletas sem limite de idade e 25 com até 23 anos. A intenção oficial é fomentar a formação, mas a combinação de regras pode obrigar times a reequilibrar planejamento e folha.
Como alternativa, Boto sugeriu que a CBF elimine a regra que limita transferências entre clubes brasileiros com base no número de jogos disputados — a chamada barreira dos 12 jogos — argumentando que essa restrição não existe em outras ligas e faz com que recursos saiam do ecossistema nacional. A crítica aponta para um debate maior: além do objetivo declaradamente formativo, as mudanças afetam retenção de talentos, receita de clubes e competitividade internacional do Brasileirão, e prometem ser tema na próxima reunião entre clubes e CBF.