No dia em que a Seleção garantiu vaga antecipada nas oitavas da Copa de 1998, Ronaldo — ainda chamado de 'Ronaldinho' — deu o recado. Aos nove minutos, abriu o placar com um golaço sem-pulo que embalou o público e a equipe. No segundo tempo, fez uma jogada de habilidade, acelerou pela direita e deu a assistência que permitiu a Bebeto fechar o placar em 3 a 0, resultado confortável contra o Marrocos.
O triunfo trouxe alívio e euforia nas capas, mas o jogo também expôs conflitos internos. Ainda com a vantagem mínima, Dunga perdeu a cabeça após uma jogada de Bebeto no meio-campo que resultou em contra-ataque adversário e falta frontal aos 35 minutos. A troca de acusações entre capitão e atacante escalou para gestos agressivos: Bebeto reagiu com o dedo em riste e Dunga respondeu tentando cabeça — episódio que deixou claro desgaste entre líderes do vestiário.
A atuação de Ronaldo naquela Copa foi decisiva: além do desempenho contra o Marrocos, teve participações importantes em triunfos como o 4 a 1 sobre o Chile e brilho nas fases finais, ao lado de Rivaldo e Bebeto. Ainda assim, o que era promessa de consagração acabou em clima de apreensão quando o craque passou mal na véspera da final, sofrendo uma convulsão na concentração que alarmou todo o grupo.
A combinação de tensão interna e o susto com a saúde do principal jogador acabou por pesar. Na decisão, a Seleção não repetiu o ritmo das fases anteriores e foi superada pela França por 3 a 0. O episódio Brasil x Marrocos de 1998 fica na memória como partida de alto brilho individual, mas também como sinal de que problemas extracampo podem minar até campanhas promissoras.