O amistoso entre Brasil e Croácia, em Orlando, não é mais um jogo de preparação: para Vinicius Junior pode ser a última oportunidade concreta de provar que tem corpo, cabeça e regularidade para assumir o protagonismo na seleção a caminho da Copa do Mundo de 2026. Eleito Fifa The Best em 2024 e em alta no Real Madrid, o atacante chegou ao ciclo com expectativas elevadas — e agora encara um teste de pressão que vai além da técnica.
No clube, Vini mostrou faro de gol (18 tentos em 48 partidas na temporada), mas a tradução para a Amarelinha ainda é tímida: oito gols e sete assistências em 42 jogos. A inconsistência virou argumento para quem pede a volta de Neymar ao grupo e alimentou o ruído público sobre a lista final. A trajetória também carrega um tropeço recente: um cartão amarelo por uma ação imatura na Copa América que o deixou fora das quartas contra o Uruguai, episódio que acabou sendo lembrado na avaliação de caráter e controle emocional.
Não ligo muito para o que as pessoas falam.
A pressão vem em duas frentes. Internamente, Carlo Ancelotti precisa conciliar a relação com um jogador que é peça-chave no Real Madrid e a responsabilidade de montar um ataque eficaz para 2026. Externamente, o clamor por Neymar reapareceu como variável política da convocação: gestos da torcida, imprensa e ex-jogadores aumentam a tensão sobre decisões que têm custo técnico e simbólico. Há precedentes em que movimentos populares complicaram escolhas de treinadores em Copas — e isso pesa no ambiente da seleção.
A escalação inicial indica que a seleção entrará com força: Ederson; Ibañez, Marquinhos, Léo Pereira e Douglas Santos; Casemiro e Danilo; Luiz Henrique, Matheus Cunha, João Pedro e Vini Jr. Do outro lado, a Croácia apresenta força e experiência com Modric e Perisic na criação. O confronto no Camping World Stadium, às 21h (de Brasília), é, portanto, um termômetro técnico e psicológico: medirá adaptação tática, entrosamento e capacidade de decisão do atacante em momentos de cobrança.
Para confirmar o salto de protagonismo, Vinicius precisa mais do que lampejos: exige regularidade na conclusão, leitura de jogo com a camisa da seleção e comportamento disciplinado fora das quatro linhas. Um desempenho consistente em Orlando alivia dúvidas e fortalece a candidatura à lista final; o oposto amplia o argumento daqueles que pedem alternativas ou a inclusão de Neymar. Em resumo: o amistoso vale pontuação na confiança e, talvez, o mapa definitivo da hierarquia ofensiva do time rumo a 2026.
Estou no momento mais feliz da minha carreira.