No último suspiro da partida contra o Botafogo, aos 49 minutos do segundo tempo, o Santos sofreu o gol que selou a derrota após um lance envolvendo o goleiro Gabriel Brazão. Ao sair da área para tentar afastar a bola, houve um choque com o zagueiro Luan Peres; a bola sobrou para Kadir, que tocou para o gol vazio. O erro no final anulou uma atuação em que o time havia demonstrado competência tática durante boa parte do jogo.

Brazão se defendeu publicamente ao reforçar que a cobertura adiantada faz parte da orientação tática passada por Cuca nos treinos. O goleiro afirmou ter antecipado a jogada e lamentou o desfecho, considerando a derrota um desperdício frente ao desempenho coletivo. Na entrevista, o técnico também tentou blindar o jogador, reconhecendo a aposta no posicionamento e definindo o lance como uma infelicidade.

O resultado agravou a situação do Santos na tabela: o clube caiu para a 16ª posição, com 21 pontos, e passa a conviver com a ameaça do Z-4 ainda que tenha escapado na rodada – em parte pela derrota do Vasco para o Vitória. A proximidade dos pontos torna qualquer erro de interpretação ou comunicação entre goleiro e sistema defensivo mais custoso do que em fases tranquilas do campeonato.

Do ponto de vista técnico, a opção por um goleiro mais adiantado aumenta os ganhos em antecipação e construção de jogo, mas reduz margem de erro em transições rápidas. O episódio evidencia necessidade de ajuste: treinos de comunicação, revisão de procedimentos em bolas alçadas e avaliação do momento em que essa postura deve ser adotada. Com a Sul-Americana no horizonte, o Santos precisa garantir que escolhas táticas não se convertam em déficits que pesem no campeonato e na paciência da torcida.