Aos 23 minutos do segundo tempo, Bruno Guimarães apareceu na área e marcou um dos gols da vitória por 4 a 2 do Brasil sobre a Austrália, em Brisbane. A partida teve gosto especial: era a 50ª vez que o volante vestia a amarelinha e a primeira em que envergou a braçadeira de capitão.

A atuação serviu para reafirmar o protagonismo do jogador no projeto comandado por Carlo Ancelotti. Bruno é hoje o segundo atleta com mais minutos sob o comando do treinador italiano — 1.299, atrás apenas dos 1.318 de Vinícius Júnior — e vem sendo tratado como peça de confiança no meio-campo.

A trajetória pela seleção não foi linear: convocado pela primeira vez em 2020, fez a estreia com poucos minutos em campo e foi ganhando espaço até se tornar titular na maior parte das partidas. Dos 50 jogos, foi titular em 39, marcou quatro gols e deu 12 assistências. A presença em campo ajuda a diluir o peso da cobrança após o pênalti perdido frente à Noruega na última Copa.

Mais do que números, o momento tem efeito simbólico. Ancelotti escolheu Bruno como opção na hierarquia da capitânia — após a saída de Raphinha no intervalo — e o volante tem sido descrito internamente como uma ponte entre a geração consagrada e os jovens que chegam. Em seu discurso, evitou alimentar vaidades ao explicar a mudança na cobrança de penalidade, ressaltando o foco coletivo.

Com a confiança do técnico renovada e o gol em Brisbane, Bruno chega à sequência de amistosos com status reforçado. O exame prático vem já neste sábado: o Brasil enfrenta a Índia, em Calcutá, às 11h (de Brasília). Para o meio-campo, tratar-se-á de consolidar ritmo e liderança em um ciclo que busca equilíbrio entre resultados imediatos e construção para o futuro.