A passagem de Bruno Guimarães por esta Copa deixou de ser apenas promissora para virar determinante. Com três assistências na fase de grupos, ele assumiu funções de motor e articulador no 4-3-3 de Carlo Ancelotti, participação que se traduz em criação e também em controle de jogo. Os números não são meramente estatísticos: a eficiência nos passes que quebram linhas tem sido peça-chave para liberar jogadores de frente e dar dinâmica à seleção.
Além da qualidade com a bola, há sinais que explicam por que Ancelotti trata o camisa 8 como intocável ao lado de Casemiro. Bruno foi quem mais entrou em campo desde a última Copa — esteve em 36 dos 40 jogos do Brasil no período — e aumentou sua produção sob o comando do italiano: das oito assistências acumuladas no ciclo, seis ocorreram já com Ancelotti. A combinação de presença, regularidade e leitura de jogo o coloca entre os mais influentes do time.
O desgaste, porém, aparece como elemento a ser monitorado. Em três partidas da fase de grupos o volante somou 32,2 km percorridos, indicador de entrega física elevada que, somado ao calendário de clubes, vira ponto de atenção para a reta final do torneio. Há também um efeito externo: o desempenho elevou seu valor de mercado — o Arsenal ofereceu 55 milhões de libras ao Newcastle por ele, proposta recusada — e isso pode gerar mais pressão sobre escalações e decisões do staff.
No aspecto tático, a presença de Bruno complica o plano dos adversários. O Brasil ganha equilíbrio entre recuperação e velocidade de transição, mas fica dependente de sua alta performance: o recuo do nível do camisa 8 reduziria a capacidade do time de controlar posse e criar espaços. Para seguir vivo na competição, o time terá de dosar intensidade e aproveitar o talento do volante sem transformar-o em alvo de desgaste excessivo nas fases decisivas.