Cabo Verde escreveu uma das histórias mais inesperadas desta Copa ao obter, na sexta-feira (26), a vaga para os 16 avos de final. Com o apelido de Tubarões Azuis, a seleção estreante assegurou a classificação ao empatar por 0 a 0 com a Arábia Saudita, em Houston. O resultado, isoladamente insuficiente para definir a chave, tornou-se decisivo após a vitória da Espanha sobre o Uruguai por 1 a 0, em Guadalajara.

O gol que mudou o destino do Grupo H saiu aos 41 minutos do primeiro tempo no México: Marcos Llorente lançou pela direita e Alex Baena aproveitou falha do goleiro Fernando Muslera para marcar. A vitória deixou a Espanha com sete pontos e empurrou Cabo Verde à segunda posição, com três, garantindo o duelo dos lusófonos com a Argentina de Lionel Messi na próxima sexta (3), às 19h (horário de Brasília), em Miami.

Em Houston, o confronto entre caboverdianos e sauditas foi truncado, marcado por erros de passe e ansiedade dos visitantes. A melhor chance aconteceu aos 29 minutos, quando Nuno da Costa puxou o contra-ataque e deixou Laros Duarte na frente do gol; o goleiro Mohammed Al-Owais fez defesa milagrosa para evitar o que poderia ter sido a reação decisiva dos Tubarões Azuis. Ao final da partida, os jogadores de Cabo Verde acompanharam os instantes finais da partida no México reunidos em torno de um celular, na expectativa do desfecho.

A combinação de resultados confirmou a eliminação do Uruguai — a primeira seleção sul-americana a se despedir do torneio — e também da Arábia Saudita, ambas com dois pontos. O episódio confirma o caráter imprevisível do Mundial e projeta Cabo Verde para um confronto de enorme simbolismo e dificuldade contra a Argentina. Para a seleção lusófona, a classificação é marco histórico; para os adversários, a prova de que surpresas em etapas decisivas podem alterar trajetórias e narrativas.