Ao longo da carreira, Caio Bonfim conviveu com a buzina que não anunciava vitória, mas hostilidade: sinais e xingamentos de motoristas enquanto treinava nas ruas. A imagem mudou. Neste domingo, a mesma Esplanada dos Ministérios que foi palco de resistência receberá a largada do Mundial de Marcha Atlética por equipes, numa cerimônia que simboliza a guinada da modalidade no país.

A escolha de Brasília como sede — superando candidaturas de Espanha, Polônia e Equador — e a presença de 333 atletas de cerca de 40 países evidenciam a dimensão do evento. Bonfim assume papel de anfitrião e líder técnico: será o cabeça de equipe na meia-maratona (21,1 km), que reúne ainda Matheus Gabriel Corrêa, Max Batista, Lucas Mazzo e João Paulo de Oliveira. Dos 26 convocados do Brasil, nove são do Distrito Federal, reflexo do papel do Centro de Atletismo de Sobradinho (Caso) na formação local.

No páreo, Caio terá pela frente nomes de peso. O japonês Toshikazu Yamanishi vem embalado pelo recorde mundial da distância (1h20min34s, em fevereiro) e o canadense Evan Dunfee é campeão mundial e referência em provas longas. O equatoriano David Hurtado é outro competidor conhecido pela postura agressiva na ponta. O evento inclui maratonas, meias-maratonas e 10 km sub-20; a pontuação por equipes privilegia a soma das melhores colocações.

Além do simbolismo esportivo, a realização do Mundial em Brasília projeta implicações práticas: visibilidade para a formação local, estímulo à infraestrutura e possibilidade de atração de investimentos para o atletismo brasileiro. Para Bonfim, a competição é chance de traduzir em pista o reconhecimento que anos atrás só se ouvia em buzinas — agora redirecionadas para a largada. Entrada franca; transmissão pela Globo e SporTV.