A presença de uma caixa térmica à beira do gramado virou marca registrada de Marcelo Bielsa. Não se trata de truque de marketing nem de superstição: a solução surgiu por necessidade física durante sua passagem pelo Olympique de Marseille, quando o técnico já não conseguia permanecer agachado por longos períodos. Como o banco de reservas ficava abaixo da linha do campo, a caixa térmica passou a servir como assento improvisado e eficiente.
O episódio virou curiosidade e acabou circulando pela Europa. Em Marselha, a caixa até protagonizou uma cena inusitada: Bielsa sentou-se sobre um copo de café quente que estava sobre o cooler e ficou irritado. No Leeds, a solução ganhou formato parecido — o balde térmico azul — e, com a repercussão do trabalho, chegou a receber patrocínio e a ter réplicas comercializadas pelo clube inglês.
Quando assumiu a seleção do Uruguai, em 2023, a federação chegou a anunciar a contratação com a imagem de uma caixa térmica estampada com o escudo. Desde então, o utensílio acompanha Bielsa em Eliminatórias, amistosos e voltou a aparecer durante a Copa do Mundo realizada nos Estados Unidos, México e Canadá. O objeto transita entre o prático e o simbólico: é ferramenta de trabalho e elemento identitário do treinador.
No campo jornalístico e para a torcida, o cooler funciona como um pequeno indicador do personagem que Bielsa construiu: metódico, pragmático e alheio a poses. Mais do que curiosidade de bastidor, a caixa térmica revela como decisões simples — por necessidade ou conforto — podem migrar para a esfera pública e virar parte da imagem profissional de um técnico que continua a chamar atenção por onde passa.