A camisa que Pelé usou na final da Copa do Mundo de 1958, quando o Brasil venceu a Suécia por 5 a 2, voltou ao mercado internacional. A peça será leiloada pela casa Sotheby's entre 29 de junho e 16 de julho, em Nova York, com estimativa de venda superior a 6 milhões de dólares — cerca de R$ 30 milhões.

O uniforme azul improvisado, que passou pelas mãos do reserva Dida (Edvaldo Alves Santa Rosa), havia sido doado pela família ao Museu dos Esportes de Maceió na inauguração do espaço, em 1993. Em 2004 a camisa foi vendida pela Christie's por cerca de US$ 105 mil para evitar a falência da instituição local; hoje o comprador daquele leilão decidiu colocá‑la novamente à venda.

O novo leilão traz um peso simbólico e um problema prático: o Museu dos Esportes não participará da receita desta operação. Na venda anterior, os recursos ajudaram a manter o espaço aberto, mas ficaram longe de resolver de forma definitiva a fragilidade financeira do museu. O caso expõe a vulnerabilidade de acervos locais e a facilidade com que objetos de grande valor histórico migraram para o mercado privado.

Além do apelo histórico e do valor de mercado, a transação reacende o debate sobre preservação do patrimônio esportivo e mecanismos públicos ou privados para proteger peças de interesse coletivo. A identidade do atual vendedor não foi divulgada; o resultado do leilão será mais um termômetro sobre quanto o mercado internacional está disposto a pagar por lembranças do futebol brasileiro.