Fabio Cannavaro, capitão da Itália campeã em 2006 e vencedor da Bola de Ouro naquele ano, virou o rosto mais conhecido da seleção do Uzbequistão — e também um dos mais caros do Mundial. Contratado em outubro de 2025, o italiano embolsa 4 milhões de euros por ano, valor que o coloca atrás apenas de Carlo Ancelotti (Brasil), Thomas Tuchel (Inglaterra) e Julian Nagelsmann (Alemanha).
O alto salário reflete uma estratégia clara do governo uzbeque, que vem elevando o orçamento para o futebol desde medidas anunciadas em novembro de 2023. Em menos de dois anos o país inaugurou um complexo com centro de treinamento da seleção, laboratório de pesquisa, academia de formação e centro de medicina esportiva — estrutura pensada para sustentar um projeto de longo prazo.
Do ponto de vista técnico, a aposta também traz pressão. Na estreia da Copa, a seleção levou 3 a 1 da Colômbia, resultado que coloca no centro do debate a questão do retorno esportivo para o investimento financeiro. Pagar caro por nome e experiência pode acelerar processos, mas exige resultados visíveis em curto e médio prazo para justificar o custo.
A escolha por Cannavaro combina prestígio e expectativa de profissionalização. Resta ao Uzbequistão demonstrar que o gasto substancial se traduz em desempenho e desenvolvimento sustentável, sob risco de a conta sonora não ser aceita apenas pela aura do treinador.