Após o empate por 1 a 1 com o Egito, o capitão do Irã, Mehdi Taremi, usou o vestiário e a entrevista pós-jogo para expor sua frustração com a organização da Copa do Mundo. Taremi qualificou o torneio como “desastroso” e afirmou que a delegação não teve os problemas logísticos solucionados desde o início da competição.

O atacante relatou que a equipe está baseada em Tijuana e tem sido obrigada a deslocar-se constantemente para partidas nos Estados Unidos, um arranjo que, segundo ele, comprometeu a preparação física e tática do time. Taremi também disse que parte da equipe de logística ainda não recebeu vistos, e que promessas feitas por autoridades da entidade não foram cumpridas.

A federação iraniana e a comissão técnica atribuem parte das dificuldades à tensão política entre Irã e Estados Unidos, que teria dificultado acordos práticos sobre hospedagem, vistos e transporte. As críticas públicas do capitão abrem, na prática, uma pressão institucional sobre a Fifa para justificar e remediar as falhas apontadas.

No plano esportivo, o desgaste fora de campo tem reflexos diretos: o Irã terminou a fase de grupos em terceiro lugar, com três empates e três pontos, e depende de resultados paralelos para avançar como um dos melhores terceiros. O time precisa que ao menos um dos outros terceiros colocados não o ultrapasse nas combinações que serão definidas nas próximas partidas.

As declarações de Taremi colocam a organização sob escrutínio: além do impacto esportivo imediato, há risco reputacional para a Fifa se as queixas se confirmarem. Para a seleção iraniana, a dúvida agora é se problemas administrativos e diplomáticos não serão o fator decisivo para encerrar uma campanha marcada por limitações fora do gramado.