Contratado por mais de cinco milhões de euros em agosto do ano passado, Carlos Miguel chegou ao Palmeiras com a missão de ser o goleiro do futuro. A lesão de Weverton, porém, acelerou o processo: em dois meses ele virou titular e passou a ser alvo de um trabalho técnico dedicado que vem sendo feito nos bastidores, com treinos fechados para a imprensa.
Dois ajustes aparecem como centrais nessa transformação. O primeiro é o reposicionamento, sobretudo nas bolas paradas: o goleiro passou a atuar mais adiantado, quase na linha da pequena área, fruto de um diálogo entre comissão técnica, treinador e preparação de goleiros. O segundo é o treino das chamadas bolas no raio de ação — defesas a curta distância — voltadas para finalizações próximas ao gol, área em que se observou evolução visível em jogos recentes.
A mudança não foi improvisada. A equipe de preparação, liderada por Rogério Godoy e Thales Damasceno, recebe relatórios mensais do departamento de dados do clube, que identificaram padrões do futebol nacional, como a prevalência de finalizações baixas. Esses indicadores orientaram a priorização de exercícios e permitiram ajustes pontuais no trabalho individual do camisa 1.
Na prática, os números acompanham a evolução: foram 64 partidas pelo time, 31 jogos sem sofrer gol e 47 gols cedidos — média de 0,73, a melhor do Palmeiras neste século, ao lado de Weverton. Houve oscilações e falhas pontuais, como em confrontos contra Atlético-MG e Cerro Porteño, mas também atuações decisivas — incluindo duas defesas em cobranças de pênalti que ajudaram a classificar o time na Libertadores — que reforçam a relação de confiança entre atleta, comissão e torcida.