Carlos Queiroz entra para a história do torneio ao participar, pela quinta vez, de uma Copa do Mundo como técnico. A série começou em 2010 com Portugal e se manteve em 2014, 2018 e 2022 à frente do Irã; agora, aos 73 anos, ele estreia com Gana contra o Panamá, pelo Grupo L, em Toronto. A sequência iguala o recorde de cinco edições consecutivas de Bora Milutinović — um feito que evidencia longevidade e adaptabilidade.
A nomeação em abril, para substituir Otto Addo demitido por resultados fracos em amistosos, coloca Queiroz sob pressão imediata: a escolha tardia reduz o tempo de trabalho e amplia o ônus sobre decisões táticas e de elenco. Ainda assim, sua carreira extensa — com passagens por seleções de oito países, trabalho no Real Madrid e como assistente no Manchester United — dá a ele munição para uma atuação competitiva, mesmo em regime de emergência.
Estou preparado para isso
A imagem pública do treinador mistura admiração técnica e críticas ao estilo interpessoal. Em Portugal, Queiroz é lembrado como mentor da geração que revelou nomes como Luís Figo e pelo bicampeonato sub-20 (1989 e 1991). Ao mesmo tempo, relatos de antigos companheiros de trabalho apontam conflito de personalidade e postura rígida à beira do campo, elementos que podem afetar a resposta do time em momentos de alta tensão.
Mais do que buscar recordes pessoais — o brasileiro Carlos Alberto Parreira segue com o máximo de seis participações, não consecutivas —, a tarefa de Queiroz em Gana é prática: transformar preparação curta em coerência tática e resultados. 'Estou preparado para isso', disse ao aceitar o cargo. A estreia contra o Panamá servirá como primeiro termômetro do impacto real dessa contratação de última hora.