A Federação Belga de Futebol (RBFA) criticou publicamente nesta segunda-feira os procedimentos adotados pela Fifa para o tratamento do cartão vermelho aplicado a Folarin Balogun, atacante dos Estados Unidos. Embora a entidade belga tenha recebido direito formal de apelar da decisão que suspendeu a suspensão automática do atleta, ela alerta que não há garantia de que o recurso será examinado antes do duelo das oitavas contra os EUA, marcado para a noite de segunda.

Na nota, a RBFA descreve que, ao buscar a decisão motivada e explicações sobre o processo, recebeu apenas uma carta da Fifa informando que sua correspondência já seria considerada um recurso, que um juiz fora nomeado e que haveria apenas algumas horas para apresentar as alegações. Segundo os belgas, isso contraria o próprio regulamento da Fifa, que exige comunicação da decisão fundamentada para que um apelo seja considerado admissível. Na avaliação da federação, o desenho do procedimento tornou o recurso, na prática, inviável.

A falta do relatório de arbitragem e da justificativa oficial deixou o dossiê belga baseado em informações incompletas, afirma a RBFA. Soma-se ao questionamento a escolha do árbitro nomeado para analisar o caso: o catari Salman Al-Ansari, cuja proximidade com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, é apontada na cobertura internacional. O cartão inicial implicaria automaticamente em suspensão de um jogo, conforme o artigo 10.5 das regras do torneio.

O episódio abriu uma onda de repercussão na mídia e críticas de entidades e personalidades do futebol, e a RBFA ainda pode levar a disputa à Corte Arbitral do Esporte (CAS). Relatos da imprensa também mencionaram pedidos externos de intervenção na decisão. Para além do caso em si, a controvérsia coloca em xeque a transparência do processo disciplinar da Fifa e aumenta o custo político da entidade num momento de atenção máxima ao torneio.