Rogério Ceni voltou a misturar duas propostas táticas e montou um sistema híbrido que alterna o 3-3-4 (ofensivo) com o 4-4-2 (defensivo). A ideia não é inteiramente nova: o clube já vinha experimentando movimentações com Juba saindo da lateral para formar o losango no meio, mas a queda de rendimento no início da temporada forçou ajustes mais claros durante a intertemporada.

No Ba‑Vi 508, o retorno de Luciano Juba como armador foi determinante. Com Erick Pulga mais aberto e Alejo Veliz como referência, o Bahia teve mais opções de ataque e venceu por 2 a 0. Em duas partidas fora com o desenho híbrido, foram quatro pontos somados — resultado prático de uma mudança que buscou recuperar criatividade e velocidade nas transições.

Acredito nos meus jogadores e no modelo de jogo.

Ainda assim, a transição não resolve todas as deficiências. Ceni optou por não retomar o 4-5-1 defensivo do semestre passado e manteve o 4-4-2 de contenção, deixando Pulga com liberdade para explorar contra‑ataques. A escolha reduz a densidade no meio; já houve custo: quedas de produção, eliminações precoces em Libertadores e Copa do Brasil e sequência sem vitórias que motivou a revisão tática.

O sistema híbrido dá ao treinador mais recursos, mas depende da condição física e da influência de Juba no jogo. Para consolidar o ganho de pontos, o Bahia precisa melhorar a consistência coletiva e a recomposição defensiva nas transições. Acreditar no modelo é uma coisa; torná‑lo sustentável, outra — e aí está o principal desafio para Ceni nas próximas rodadas.