As alterações nas regras do futebol destinadas a reduzir a cera tiveram efeito visível na Copa do Mundo. A iniciativa, coordenada pelo Grupo de Estudos Técnicos da Fifa, foi apresentada na véspera da final entre Argentina e Espanha e traz números que reforçam a eficácia das medidas de controle do tempo em cobranças e em atendimentos médicos.

Uma das novidades é a ação dos árbitros ao sinalizar quando faltam cinco segundos para a cobrança de tiro de meta ou lateral; se o limite for excedido, a jogada pode ser revertida em escanteio ou posse ao adversário. O impacto prático aparece nos números: a proporção de tiros de meta que levaram mais de 30 segundos caiu de 25% na Copa anterior para 12% nesta edição.

Outra mudança determinou um intervalo mínimo de um minuto para que jogadores atendidos voltem ao jogo. Essa regra contribuiu para a redução média de intervenções médicas por partida, de 2,3 para 1,6, segundo o relatório. Para o Grupo de Estudos, além de aumentar o tempo efetivo de jogo, a norma diminui a sensação — entre atletas e público — de que interrupções são usadas para ganhar vantagem.

Os dados também revelam um efeito tático consequente: a parcela de gols marcados de fora da área dobrou, de 8% para 16%. Especialistas do grupo associam o fenômeno à maior frequência de equipes defendendo com blocos baixos, o que abre espaço para chutes de longa distância. Em termos práticos, as regras tornaram o jogo mais fluido e forçam treinadores a repensar a construção de jogadas frente a linhas defensivas compactas; a manutenção dos ganhos, porém, depende da consistência da arbitragem em todas as competições.