Duas mulheres procuraram a polícia nesta semana e se somaram às denúncias contra Paulo Sílvio dos Santos, presidente da comissão de arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF). Elas não são árbitras: afirmam ter sido vítimas de assédio sexual quando trabalharam entre 2014 e 2016 em uma concessionária de Fortaleza, onde ele era gerente de vendas.

Uma das denunciantes relatou que já havia registrado boletim de ocorrência em 2014; a outra descreveu repetidas investidas, comentários sobre partes íntimas, ofertas de presentes e retaliação profissional após recusá‑lo. O depoimento inclui a alegação de que uma venda de 10 motos foi prejudicada por ação do então gerente.

A Polícia Civil indiciou Paulo Sílvio na segunda‑feira pelos crimes de importunação sexual e assédio sexual, e encaminhou o procedimento ao Judiciário. A acusação de estupro, mencionada por parte das arbitras, não integrou o indiciamento. Ele havia sido afastado do cargo em 14 de julho, data em que as árbitras registraram boletins de ocorrência.

A FCF instaurou inquérito interno; o afastamento inicial é de 30 dias e a entidade informou que o dirigente não retornará ao posto, com a comissão passando a ter novo comando. O caso expõe risco reputacional à arbitragem cearense e testa a capacidade da federação e da Justiça em garantir apuração rigorosa, transparência e proteção às vítimas.