A Polícia Civil do Ceará concluiu o inquérito que investigou denúncias de importunação sexual e assédio sexual contra o presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF), Paulo Silvio, de 55 anos. O dirigente foi indiciado pelos dois crimes e o procedimento foi enviado ao Poder Judiciário; a imputação por estupro não constou no indiciamento.
As acusações partiram de quatro árbitras do quadro cearense, que relataram convites inoportunos, mensagens incompatíveis com relação de trabalho, sugestões de favorecimento na escala e toques físicos embaraçosos. As vítimas prestaram depoimento na Delegacia da Mulher; os relatos, segundo as denunciantes, descrevem comportamento que se repetiría desde 2018. Paulo Silvio nega as acusações e a defesa informou que se manifestará em breve.
O dirigente foi afastado do cargo em 14 de julho — data em que as arbitras registraram boletim de ocorrência — e, após o período de 30 dias, não retornará à presidência da Comissão de Arbitragem, que ele ocupava há nove anos. A FCF instaurou uma sindicância interna (nº 01/2026), com presidência exercida por uma mulher, e diz oferecer apoio psicológico às árbitras; a entidade também disponibilizou um canal para receber denúncias e informações reservadas.
O caso abre um desafio institucional para a FCF e para a arbitragem cearense: além da resposta judicial, pesa a necessidade de restabelecer confiança e garantir proteção às mulheres no ambiente esportivo. A apuração interna e o acompanhamento psicológico são passos esperados, mas a repercussão política e esportiva do indiciamento exige transparência sobre prazos, medidas de prevenção e eventual responsabilização administrativa.