Chris Richards, 26 anos, é a síntese de uma virada que começou em 2016: numa viagem à Argentina, um jogo do Vélez Sarsfield mudou a direção de uma carreira inicialmente destinada ao basquete no Alabama. Hoje ele figura entre os convocados dos Estados Unidos para a Copa do Mundo de 2026, que será disputada em casa.
Criado numa região dominada pelo futebol americano e pelo basquete, Richards tinha no pai, Ken, a referência do basquete profissional. O contato com o ambiente profissional em Buenos Aires — a intensidade do clássico, o clima nas arquibancadas — foi decisivo para que optasse pelo futebol. De volta aos EUA, passou por academias e programas de desenvolvimento juvenil até ganhar campo nas categorias de base.
A trajetória europeia começou com uma experiência no Bayern de Munique: emprestado, voltou a treinar bem e acabou comprado pelos alemães. Depois vieram empréstimos ao Hoffenheim e, em 2022, a venda ao Crystal Palace por 12 milhões de euros. Uma lesão custou a presença na Copa do Mundo de 2022, mas não freou a afirmação do zagueiro nos anos seguintes.
No Crystal Palace, Richards se firmou como titular e teve papel relevante nas conquistas recentes do clube — incluindo a Copa da Inglaterra (2025), a Supercopa (2025) e a Conference League (2026). Na última temporada disputou 50 partidas e marcou dois gols, números que ajudam a explicar a convocação para o torneio em casa.
Mais que uma boa história individual, o percurso de Richards evidencia o caminho de jogadores norte-americanos da base para os grandes campeonatos europeus. Para os EUA, ter um zagueiro com experiência na Premier League e na Europa é um trunfo — e, como anfitriões, a seleção carrega a expectativa de que nomes assim sustentem uma campanha competitiva no Grupo D, com Paraguai, Austrália e Turquia.