As fortes chuvas que atingem o Brasil há mais de dois meses têm impacto direto no Campeonato Brasileiro: Sul e Sudeste, que concentram 85% dos clubes da Série A, registram gramados mais vulneráveis, com clubes e administradores obrigados a ajustar manutenção e logística.
Especialistas consultados pela reportagem explicam que quando a água chega mais rápido do que a drenagem, o solo satura, perde resistência e a grama sofre com desprendimento, formação de algas e menor oxigenação das raízes. Entre julho e agosto de 2026, a proporção de jogos com chuva no mesmo dia ou nas 24 horas anteriores subiu para 46%, e o volume de chuva em agosto cresceu 208% em relação ao ano anterior — combinação que reduziu a capacidade de recuperação das superfícies.
O efeito prático aparece nas partidas: o árbitro debateu com técnicos antes de autorizar o clássico no Couto Pereira, cuja superfície ficou encharcada, e jogos como Santos x Cruzeiro também foram disputados em campos muito úmidos. As limitações vão além da estética: com solo saturado fica inviável operar maquinário pesado e as janelas curtas entre jogos reduzem ainda mais a margem para recuperação.
A repetição dessas condições impõe decisões possivelmente caras e estratégicas — revisões nos sistemas de drenagem, calendários mais folgados e adoção de gramados novos, como já projetado para o Maracanã em 2027. Para clubes e organizadores, a agenda de partidas e a segurança dos atletas ficam no centro do desafio enquanto o clima segue instável.