Cléber Xavier anunciou nesta temporada o retorno ao posto de auxiliar técnico — agora da seleção da Venezuela — e traçou um objetivo ambicioso: conseguir pela primeira vez na história a vaga da Vinotinto numa Copa do Mundo, em 2030. O treinador, que havia atuado como braço direito de Tite nas campanhas de 2018 e 2022, viajou a Caracas após passar parte do último mês no Brasil e retoma trabalho sob contrato de quatro anos com a federação venezuelana (FVF).

A FVF montou uma comissão que mescla nomes locais e experiência internacional: além de Cléber, integram o grupo o preparador de goleiros Mario Marín e o preparador físico Óscar Ortega. Sem conseguir atrair um treinador estrangeiro com experiência em Eliminatórias, a entidade promoveu Oswaldo Vizcarrondo, ex-zagueiro e antigo técnico do sub-17, com a intenção explícita de fortalecer o projeto "DNA Vinotinto" e criar continuidade entre categorias.

Para Cléber, um dos déficits do futebol brasileiro é justamente a falta de integração e de processos contínuos entre base e seleção principal. Ele apontou que ciclos desorganizados prejudicam desempenho — avaliação que aplicou à trajetória brasileira nas últimas Copas — e ressaltou que a evolução de rivais e problemas de lesões também influenciaram o resultado recente do Brasil. A mensagem é clara: sem planejamento e coordenação, fica difícil montar uma equipe consistente para o torneio.

O treinador não enxerga como retrocesso a volta ao papel de auxiliar depois de dirigir o Santos por 15 jogos em 2025; diz-se atuando como "segundo treinador" da Venezuela, com autonomia. O retorno ao país sofreu atraso por conta dos tremores que atingiram o país em junho, mas o compromisso com a federação e a meta de transformar a Vinotinto em candidata às Eliminatórias permanecem como prioridade para os próximos anos.