A Colômbia entra nas oitavas da Copa do Mundo para um confronto com sabor de reencontro: do outro lado estará Carlos Queiroz, hoje técnico de Gana, que comandou a seleção colombiana entre 2019 e 2020. O duelo em Kansas City, na sexta-feira às 22h30 (de Brasília), deixou de ser apenas esportivo e virou questão tática e psicológica.

Contratado em fevereiro de 2019 para suceder José Pékerman, Queiroz teve início promissor, com vitórias em amistosos e um resultado marcante sobre a Argentina na Copa América. Ainda assim, a sequência de eliminatórias e derrotas contundentes — destaque para o 3 a 0 para o Uruguai e o 6 a 1 para o Equador — minou sua credibilidade e levou ao desligamento em 2020.

Desde então, o português acumulou passagens por seleções como Egito, Irã, Catar e Omã antes de assumir Gana. A vantagem prática que leva ao duelo com a Colômbia é simples: 13 dos 26 convocados por Néstor Lorenzo jogaram sob seu comando. Entre eles estão peças-chave como James Rodríguez, Davinson Sánchez, Mojica e Lerma.

Esse conhecimento traz impacto duplo. Para Queiroz, há leitura prévia de rotinas, funções e possíveis fragilidades individuais; para a Colômbia, a obrigação de esconder variações e evitar cair em padrões já explorados pelo treinador. A responsabilidade recai sobre Lorenzo, que terá de compactar a equipe e inovar em movimentações para neutralizar o efeito surpresa invertido.

No fim, o jogo vale mais que uma vaga: é teste de maturidade tática para a Colômbia e oportunidade para Gana usar a experiência do treinador como diferencial. Em um mata-mata equilibrado, a interação estratégica entre conhecimento e adaptação pode ser o fator decisivo.