A Conmebol abriu um procedimento disciplinar contra o técnico Abel Ferreira, do Palmeiras, após declarações do treinador em coletiva depois do empate por 1 a 1 com o Junior Barranquilla. O expediente cita o artigo 11 do regulamento, nas letras D e F, que tratam de violação de princípios de conduta e comportamentos passíveis de sanção. O clube tem prazo até esta sexta-feira para apresentar sua defesa à entidade sul-americana.

O processo se refere a uma crítica pública de Abel ao funcionamento do VAR, quando o técnico avaliou que um lance envolvendo Maurício e Rivas na estreia merecia pênalti e fez referência à final da Libertadores de 2025, afirmando que naquele ano o sistema não teria atuado como esperado. A menção ao episódio com Erick Pulgar e a ausência de revisão naquele lance foi usada pela Conmebol para justificar a investigação.

O caso chega enquanto Abel ainda cumpre pena imposta pelo STJD: ele foi suspenso por sete jogos, dos quais quatro ainda estão por cumprir no Campeonato Brasileiro. O treinador foi julgado no Pleno do tribunal desportivo em duas ações esta semana, e o clube, por meio do diretor de futebol Anderson Barros, classificou como arbitrária a punição do STJD e pediu manutenção de parâmetros equivalentes para casos semelhantes.

Do ponto de vista institucional, a abertura do processo amplia a exposição do técnico e do clube em duas frentes — nacional e continental — e pode elevar o custo político de críticas públicas a árbitros e à Conmebol. Ainda que não haja decisão tomada, a investigação força o Palmeiras a ensaiar uma defesa oficial e coloca Abel sob nova lupa antes de compromissos importantes na Libertadores, ao mesmo tempo em que reabre o debate sobre padrões de arbitragem e tolerância a comentários de treinadores.