A Conmebol aplicou multas de US$ 100 mil ao Cruzeiro e ao Boca Juniors após episódios discriminatórios e de indisciplina durante a partida no Mineirão, pela terceira rodada da Libertadores, vencida pelo Cruzeiro por 1 a 0. As sanções, que equivalem a cerca de meio milhão de reais por clube, marcam a reação da confederação aos gestos registrados nas arquibancadas e a outras infrações cometidas no jogo.
No caso do Boca, a punição foi motivada pelo gesto racista de um torcedor argentino, que chegou a ser detido após a partida. Além da multa principal, o clube foi obrigado a veicular campanhas de conscientização nas redes sociais e antes e durante jogos da Libertadores; houve ainda uma multa adicional de US$ 5 mil por descumprimentos a outros artigos do código disciplinar. A medida busca responsabilizar institucionalmente o clube e sinalizar tolerância zero à discriminação.
O Cruzeiro também foi responsabilizado. A Conmebol citou atraso na entrada em campo, arremesso de objetos e uso de sinalizadores entre as infrações, além de episódios de provocações — entre eles a exibição de uma nota de dois reais por um torcedor do clube em direção aos visitantes argentinos. A soma das multas impõe um custo financeiro direto, mas sobretudo aponta falhas operacionais no controle de torcidas e na prevenção de episódios que envergonham a competição.
As sanções têm efeito prático e simbólico: além do impacto no caixa dos clubes, expõem vulnerabilidades na organização dos jogos e na gestão de comportamento dos torcedores. A exigência de campanhas de conscientização transfere ao Boca parte da responsabilidade por evitar novas ocorrências; já o Cruzeiro precisa responder sobre segurança e ordenamento das arquibancadas. Se a repetição de episódios persistir, a Conmebol tem margem para endurecer punições — e os clubes terão de mostrar medidas concretas, não apenas comunicados, para reduzir risco reputacional e financeiro.