O Conselho Deliberativo do Corinthians aprovou as contas de 2025 em sessão no Parque São Jorge, com placar de 106 votos a favor e 68 contra — quatro conselheiros da direção não puderam votar. O balanço apresentado registra um déficit de R$ 143,4 milhões e dívida bruta total de R$ 2,723 bilhões, números que chegaram acompanhados de pareceres com ressalvas e de uma auditoria independente que apontou “incerteza relevante” sobre a capacidade de continuidade operacional do clube.
A apresentação técnica dos dados ficou a cargo do gerente financeiro da Alvarez & Marsal, que se recusou a assinar um termo de responsabilidade solicitado pelo presidente em exercício do Conselho. A assinatura foi feita por membros da diretoria, e o episódio acentuou a tensão entre corpo técnico, Conselho Fiscal e direção sobre transparência e responsabilidade na prestação de contas.
A Comissão de Finanças havia recomendado a reprovação, citando fragilidade de controles internos, falta de informações sobre a operação da Neo Química Arena, controvérsia sobre o reconhecimento de efeitos de transações e ajustes relevantes de exercícios anteriores. Entre os pontos mais contestados esteve a inclusão no exercício de 2025 de uma transação tributária com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, cujo acordo só foi assinado neste ano — operação que a gestão contabilizou como redução de parte da dívida.
A direção ressalta que foram eliminadas pendências e que a renegociação com a União sobre débitos fiscais — mencionada pela gestão — implicou em redução contabilizada da dívida bruta. Ainda assim, a aprovação em condições de ressalva e a divergência entre pareceres deixam o clube em situação financeira e institucional que exige respostas claras da diretoria: controle interno fortalecido, auditorias externas contínuas e prestação de contas mais detalhada para evitar desgaste político e risco à gestão esportiva.