A passagem da Copa do Mundo de 2026 acelerou uma limpa no comando das seleções: 16 técnicos deixaram seus cargos após o torneio, o equivalente a 32,6% dos 49 profissionais que trabalharam na competição. A maior anomalia foi a Tunísia, que dispensou Sabri Lamouchi após a estreia com derrota por 5 a 1 para a Suécia e ainda encerrou o breve contrato de Hervé Renard após a eliminação na fase de grupos.

As mudanças ocorreram em ondas: oito saídas foram decretadas ao fim da fase de grupos, seis depois dos 16 avos de final e duas nas oitavas. Entre os que se despediram logo na fase inicial estão nomes como Hong Myung-bo — que pediu demissão em meio a críticas oficiais — Miroslav Koubek, Steve Clarke (que deixou a Escócia após a derrota para o Brasil), Marcelo Bielsa, e Jamal Sellami. A rapidez das decisões revela pressão imediata sobre resultados e pouca tolerância à margem de erro.

No mata-mata, técnicos com currículo também foram afetados: Ronald Koeman renunciou na Holanda, Sebastián Beccacece saiu do Equador, Julian Nagelsmann deixou a Alemanha — cujo posto já foi anunciado para Jürgen Klopp — e Zlatko Dalić encerrou nove anos à frente da Croácia. Outros casos de destaque foram as saídas de Carlos Queiroz (Gana), Javier Aguirre (México, substituído por Rafa Márquez) e Roberto Martínez (Portugal, sucedido por Jorge Jesus). Alguns desligamentos só foram oficializados dias depois, como o do treinador do Senegal.

O saldo é mais que estatístico: a rotatividade põe em xeque projetos de longo prazo, compromete continuidade técnica e encarece um mercado em que clubes e seleções disputam profissionais experientes. Federações tendem a privilegiar soluções imediatistas, mas a substituição frequente aumenta a incerteza em prazos de preparação para eliminatórias e disputar competições futuras. É provável que novas mudanças ainda sejam anunciadas nas próximas semanas.