A edição deste ano da Copa do Brasil alcançou um marco inédito: pela primeira vez na história, a maioria dos treinadores entre os oito classificados é estrangeira. São seis técnicos de fora do país — Abel Ferreira (Palmeiras), Artur Jorge (Cruzeiro), Luís Castro (Grêmio), Pedro Emanuel (Vasco), Eduardo Domínguez (Atlético-MG) e Paulo Pezzolano (Internacional) — contra dois brasileiros, Jair Ventura (Vitória) e Cuca (Santos). O levantamento é do Gato Mestre, confirmado por apuração do ge.
O número consolida uma tendência recente. Em 2024 houve um recorde anterior, com quatro estrangeiros nas quartas, e a presença dobrou em relação a 2025 — ano em que haviam chegado Ancelotti (Botafogo), Leonardo Jardim (Cruzeiro) e Sampaoli (Atlético-MG). Antes de 2018, não se registrava um ano sem técnicos estrangeiros entre os oito melhores; nas décadas passadas a chegada de treinadores de fora foi mais pontual.
O quadro atual reflete uma mudança nas escolhas dos clubes, que têm recorrido com maior frequência a nomes com trajetórias fora do Brasil. Exemplos históricos citados no levantamento, como Pablo Forlán, Rojas e Juan Carrasco, mostram que a presença estrangeira não é inédita, mas ganhou escala na última janela de contratações e no mercado de trabalho técnico.
Mais do que número estatístico, o recorde aponta para um debate sobre perfil e critérios de contratação no futebol brasileiro: a opção por treinadores internacionais pode trazer variações táticas e experiência, ao mesmo tempo em que reacende discussões sobre a formação e valorização de profissionais nacionais. Os dados descrevem o momento, não uma tendência irreversível — e deixam claro que clubes, resultados e pressões de curto prazo seguem moldando decisões.