A Federação Iraniana de Futebol informou nesta terça-feira (9) que a fatia de ingressos destinada aos seus torcedores foi retirada a poucos dias do início da Copa do Mundo, deixando fãs que já haviam programado viagens sem a garantia de assistir aos jogos. O torneio estreia na quinta-feira (11) e a seleção do Irã disputará partidas em Los Angeles, contra Nova Zelândia (15) e Bélgica (21), e em Seattle, contra o Egito (26).

Segundo a federação, havia sido iniciado o processo de venda dos bilhetes para a torcida, mas a entrega não pôde mais ser feita. O órgão salientou que cada entidade participante tem direito a uma parcela dos ingressos de cada partida — cerca de 8% — e criticou a decisão por ferir o princípio de igualdade entre as equipes. A nota também aponta que essa situação prejudica cidadãos que confiaram no calendário e compraram passagens.

A Fifa afirmou, em resposta, que trabalha em conjunto com a federação iraniana para identificar soluções que ampliem as chances de os torcedores acompanharem os jogos. A entidade não detalhou a origem da retenção dos bilhetes, e a federação iraniana também não atribuiu a decisão a nenhuma autoridade específica, limitando-se a pedir respeito à neutralidade e às regras do torneio.

O episódio ocorre num contexto de tensão, com incertezas em relação a vistos e segurança desde ataques regionais que marcaram os últimos meses. A equipe iraniana chegou a transferir sua base de treinos do Arizona para o México por receios sobre concessões de vistos; jogadores receberam autorizações na semana passada, enquanto parte da comissão técnica ainda aguardava. Além do impacto imediato para torcedores, a disputa sobre ingressos levanta questionamentos sobre a influência de fatores não esportivos na organização do evento.