A Copa do Mundo deste ano deixou claro que o evento transcende o campo: partidas realizadas nos Estados Unidos, Canadá e México têm atraído um público de nomes do entretenimento, do empreendedorismo e de outras modalidades esportivas. A combinação do mercado norte-americano aquecido e da realização de jogos em cidades conhecidas por abrigar celebridades explica em parte a frequência desses rostos nos estádios.
Além de ícones do futebol, como Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho, o torneio registrou presenças de atores e atletas de outras modalidades — entre eles o boxeador Canelo Álvarez e nomes como Luis Gerardo Méndez e Julian Gil. Figuras de Hollywood e bilionários da tecnologia também passaram pelos assentos de honra: Paris Hilton, Jamie Foxx e Bill Gates foram alguns dos que chamaram atenção nas arquibancadas em partidas nos EUA.
A presença de ex-jogadores é, por vezes, institucional: a Fifa costuma convidar lendas nacionais para manter viva a história do esporte. Mas há também dimensão comercial. David Beckham, por exemplo, não só transita como celebridade como é usado em campanhas que, segundo o material-base, já rendem cerca de US$ 25 milhões em publicidade norte-americana; a Forbes estimou seu patrimônio em 1,185 bilhão de libras. Esse cenário cria oportunidades de monetização do espetáculo além da bilheteria.
O torneio aponta para uma convergência com formatos típicos dos EUA: a final de 2026 terá show de intervalo ao estilo do Super Bowl, com atrações já anunciadas como Justin Bieber, Madonna, Shakira e BTS, sob curadoria de Chris Martin, no MetLife Stadium em 19 de julho de 2026. A transformação da Copa em vitrine cultural e comercial amplia receitas e visibilidade, mas também põe em debate o equilíbrio entre espetáculo e foco esportivo — uma mudança que tende a moldar as expectativas de público, patrocinadores e organizadores nas próximas edições.