O Corinthians impediu a entrada de cerca de 300 torcedores portadores de ingressos identificados como vendidos por cambistas no clássico contra o Santos, em partida com público pagante de 47.099 na Neo Química Arena. O sistema antifraude do programa Fiel Torcedor apontou indícios em aproximadamente 2.200 cadastros e entradas — quase 5% do público —, sinalizando transferência irregular de bilhetes.
O clube optou por bloquear apenas 300 bilhetes por motivos de segurança: segundo a diretoria, a retirada em massa de milhares de torcedores poderia gerar tumulto nos portões e comprometer a operação. Para a partida foram reforçados os efetivos de apoio e solicitada a presença da Polícia Militar; quando questionados, a maior parte dos portadores admitiu ter comprado os ingressos de terceiros e deixou o estádio. Os ingressos bloqueados não foram reembolsados e constam no borderô: a renda bruta do clássico foi de R$ 3.284.703,18.
O canal autorizado para compra segue sendo o site fieltorcedor.com.br, que exige cadastro com CPF e identificação por biometria facial — o sistema registra hoje 1,332 milhão de cadastros com esse dado. Ainda assim, o clube já havia detectado aumento de irregularidades na partida contra o Rosario Central, pela Libertadores, o que indica que cambistas acharam maneira de burlar controles.
A operação deixa claro um dilema prático: a necessidade de fiscalizar e punir a venda irregular de ingressos colide com o dever de preservar a segurança e a ordem no dia do jogo. Para minimizar novos episódios, o Corinthians afirma que vai reforçar o sistema e atualizar protocolos do Fiel Torcedor; resta acompanhar se as mudanças serão suficientes para restaurar a confiança dos sócios e reduzir perdas financeiras e transtornos aos torcedores.