O Corinthians acelerou as conversas para repor o cargo deixado por Fernando Diniz e tem Ramón Díaz como prioridade para liderar o time já no Dérbi contra o Palmeiras, domingo. A diretoria trabalha contra o relógio: a intenção é que o novo treinador esteja no CT nesta sexta-feira e acompanhe dois dias de preparação antes do clássico.

A negociação, porém, enfrenta dois obstáculos concretos. Primeiro, a suspensão de seis jogos imposta ao argentino pelo STJD — punição aplicada após declaração considerada machista — que, na prática, impediria Ramón de ficar na beira do campo nas primeiras rodadas. Segundo, a resistência de parte da diretoria e de aliados do presidente Osmar Stabile, que questionam o custo político da contratação. Defensores da vinda apontam recurso ao STJD ou a alternativa de contar com o auxiliar Emiliano Díaz na beira do gramado.

Outras opções foram avaliadas internamente: Luis Zubeldía recusou sondagem, enquanto nomes como Juan Pablo Vojvoda e Sylvinho foram apenas mencionados, sem contatos formais. No interregno, o auxiliar Leo Porto — remanescente da comissão de Diniz — comandou os treinos dos não relacionados para o confronto contra o Internacional, numa solução provisória que expõe a pressa do clube diante do calendário apertado (restam nove jogos na temporada).

O cenário tem implicações práticas e simbólicas. Trazer um técnico já conhecido do elenco é argumento técnico, mas a punição e o desconforto interno elevam o risco de desgaste institucional e de imagem para o Corinthians às vésperas de um clássico decisivo. A direção precisa decidir rápido entre consolidar o retorno de Ramón, arriscar recurso no STJD e montar solução de transição, ou virar para outra opção que possa assumir sem interferências disciplinares.