O Corinthians registrou em 2025 um repasse de R$ 224,4 milhões à Caixa Econômica Federal para amortização e pagamento de juros do financiamento da Neo Química Arena. O montante integra uma movimentação total de R$ 266,3 milhões, que inclui R$ 40,977 milhões vindos de uma vaquinha organizada pela torcida dos Gaviões da Fiel e repasses operacionais a empresas ligadas à administração da dívida.
Apesar do desembolso, o saldo da dívida com a Caixa ainda era de R$ 642 milhões em 31 de dezembro de 2025, inserido em uma dívida bruta total do clube estimada em R$ 2,723 bilhões. O contrato renegociado em 2022 prevê prazo até dezembro de 2041, amortizações crescentes a partir de 2025 e juros compostos por 2% ao ano mais variação do CDI — pressão financeira que exige receitas consistentes da arena para não comprometer o fluxo do clube.
Como garantia do financiamento, estão vinculados 100% dos naming rights, 55% da receita bruta de bilheteria, 50% de premiações esportivas, 30% das vendas de atletas e, no caso de inadimplência, receitas de direitos de transmissão. Em 2025, a operação da Neo Química Arena registrou R$ 115 milhões em bilheteria e R$ 217 milhões de receitas totais, com 38 jogos e público médio de 41.840 torcedores — números que ajudaram a justificar os pagamentos, segundo a diretoria.
Ainda assim, a prestação de contas traz pontos sensíveis: o relatório da gestão Stabile menciona a busca por renegociação com a Caixa, mas não detalha avanços. E o fundo que administra a dívida não apresentou demonstrações financeiras de 2024 e 2025, situação atribuída à sucessão de administradoras e à liquidação extrajudicial da Reag/Arandu pelo Banco Central. Em abril, Asarock e Genial assumiram a gestão dos fundos, medida que promete maior transparência, mas que ainda precisa se refletir em números entregues aos conselheiros.
Para o Corinthians, a operação da arena gera resultado operacional superavitário nas contas internas, com ganhos em camarotes, eventos e bilheteria. A decisão política da diretoria de vincular receitas estratégicas ao pagamento do financiamento reduz margem de manobra para investimentos no futebol e reforça a necessidade de acompanhamento rígido das condições contratuais e da execução orçamentária — especialmente em um contexto de amortizações crescentes e juros atrelados ao CDI.