O Corinthians atravessa sua pior sequência desde 2007: quatro derrotas seguidas no Campeonato Brasileiro e um recuo sensível na tabela, com a distância para o grupo dos quatro últimos diminuindo. Desde 16 de agosto o time perdeu para Cruzeiro, Coritiba, Santos e Chapecoense — três desses jogos na Neo Química Arena, com média de público superior a 37 mil — e o técnico Fernando Diniz já pediu desculpas à torcida.
A explicação imediata passa pela extensa lista de desfalques. Yuri Alberto, André, Zakaria Labyad e Kayke estão no departamento médico; Vitinho ainda na fase final de transição; e, no último jogo, Raniele, Gabriel Paulista e Hugo Souza ficaram fora por suspensão. Com elenco enxuto e três transfer bans ativos, o clube tem dificuldade para repor perdas e foi obrigado a testar 19 titulares diferentes nas quatro partidas citadas.
No campo ofensivo, a falta de pontaria tornou-se determinante: foram apenas quatro gols nos quatro jogos mais recentes do Brasileirão, apesar de média de 17 finalizações, mais de 58% de posse e cerca de 617 passes trocados por partida. Jogadores como Memphis Depay, Rodrigo Garro, Kaio César, André Carrillo e Pedro Raul desperdiçaram chances claras que poderiam ter evitado a sequência negativa.
A perda de solidez defensiva também é visível. Embora o Corinthians mantenha a terceira melhor defesa do campeonato — 27 gols sofridos em 26 rodadas —, o time tomou sete gols nos últimos quatro jogos, muitos deles nos minutos finais. A necessidade de mudanças constantes na escalação e a busca pelos resultados têm deixado a retaguarda mais exposta, como visto contra Cruzeiro e Chapecoense.
O contexto da temporada agrava o quadro: a equipe foca também nas quartas de final da Libertadores, contra o Estudiantes, o que força escolhas e desgaste de um elenco já limitado. Sem mercado aberto para reforços e com a pressão da torcida em jogos com boa presença, o club precisa de correções imediatas — táticas e de eficiência — para evitar que a fase se transforme em crise institucional e esportiva mais profunda.