O Corinthians confirmou ontem na Libertadores aquilo que mais agrada sua torcida: uma vitória suada, construída no sacrifício e na atmosfera de Itaquera. Em partida de oitavas, o time de Fernando Diniz resistiu às dificuldades ofensivas e a um cartão vermelho de Ranielle para arrancar a classificação diante do Rosario Central por 1 a 0.
A dificuldade na criação voltou a ser evidente: com desfalques importantes — entre eles Allan, Yuri Alberto e Labyad — o time precisou se fechar e apostar na entrega coletiva. Hugo Souza foi exigido e a defesa funcionou como um cadeado em momentos decisivos, transformando o jogo em disputa física mais do que em espetáculo técnico.
O Corinthians é sempre desacreditado, a gente tem que se blindar.
O elemento que mudou o jogo veio do banco: Memphis Depay, ao cobrar com classe, encontrou Breno Bidon para o gol que decidiu o confronto. Mais do que a qualidade individual, o momento reafirmou a dependência corinthiana por lampejos e pela energia das arquibancadas — representada simbolicamente pela imagem de Gabriel Paulista subindo para comemorar com os torcedores.
A vaga garante alívio e provoca perguntas. Avançar na Libertadores é mérito em jogos de alta pressão, mas a repetida dificuldade de criação e a necessidade de recorrer a lances isolados devem ser assunto no CT. O Corinthians venceu e fez a torcida respirar; agora cabe ao time transformar essa entrega em soluções mais consistentes nas fases seguintes.