A partida entre Al-Taawoun e Al-Hilal, válida pelo Campeonato Saudita, teve um episódio que ultrapassou a rivalidade esportiva: torcedores da equipe da casa repetidamente gritaram o nome de Diogo Jota para provocar Rúben Neves, que tem o ex-companheiro tatuado. O ato ocorreu enquanto o elenco do Al-Hilal aquecia e foi recebido pelo jogador com um aplauso irônico e um gesto em direção ao céu.

O clube de Neves formalizou uma denúncia junto à Federação Saudita de Futebol. Em suas redes sociais, Cristiano Ronaldo chamou a atitude de inaceitável e pediu que os responsáveis sejam impedidos de frequentar estádios, reforçando a pressão pública por sanções. A iniciativa do Al-Hilal e o posicionamento do astro do Al-Nassr colocam o caso sob escrutínio institucional imediato.

A chantagem emocional com a morte de Diogo Jota — jogador que faleceu em julho do ano passado e era amigo próximo de Neves — levanta questionamentos sobre limites da torcida e sobre a resposta disciplinar das autoridades. Clubes, federação e organizadores de competições enfrentam o desafio de impor regras que preservem a integridade dos atletas sem tornar os estádios palco de ataques pessoais.

Em campo, o Al-Hilal não se deixou abalar e venceu por 6 a 0, mas o resultado esportivo ficou em segundo plano diante da repercussão. Resta agora à federação decidir medidas que sirvam de precedente: a falta de punição clara reduziria a capacidade das instituições de coibir abusos semelhantes, enquanto uma sanção exemplar poderia reforçar normas de respeito e proteger jogadores vulneráveis a provocações que exploram tragédias pessoais.