Há dois anos, Pedro Lourenço assumiu publicamente que o Atlético-MG estava muito à frente do Cruzeiro. Prometeu equilibrar essa diferença em 24 meses. O prazo venceu com sinais claros de que a promessa foi cumprida: o Cruzeiro não apenas encurtou a distância, como conquistou título estadual, voltou à Libertadores e eliminou o maior rival nas quartas da Copa do Brasil — resultado que consolida a nova correlação de forças em Minas.
Quando Lourenço desembarcou no clube, em maio de 2024, o Cruzeiro vinha de revés no Mineiro e ocupava posição intermediária no Brasileiro. Naquele ano o time terminou à frente do Atlético no Brasileiro (9º contra 12º) e foi vice da Sul-Americana, sem garantir vaga direta na Libertadores do ano seguinte. O Atlético, por sua vez, teve campanhas de destaque em mata-matas, mas também ficou de fora da próxima edição do torneio continental.
O movimento de 2025 mostrou efeitos práticos. Com aumento de investimento e alterações na equipe, o Cruzeiro falhou nas semifinais do Mineiro, mas em seguida encaixou a temporada nacional: terminou o Brasileirão em terceiro lugar, garantindo volta à Libertadores. No mata-mata da Copa do Brasil, a decisão contra o rival teve saldo favorável ao Cruzeiro — com dois gols decisivos de Kaio Jorge — que agora avança à semifinal contra o Corinthians.
A reconfiguração em Minas tem implicações além do campo: o fortalecimento do Cruzeiro faz bem ao produto do futebol local, como chegou a reconhecer Rubens Menin. Politicamente, o resultado reduz a pressão sobre a gestão cruzeirense e aumenta a cobrança sobre o Atlético, que perdeu parte da aura dominante. Para torcedores e mercado, há agora uma disputa mais equilibrada, com reflexos em bilheteria, patrocínios e ambições continentais.