O dono do Cruzeiro, Pedro Lourenço, falou publicamente pela primeira vez sobre as recentes mudanças na estrutura da base e reforçou a defesa do trabalho do técnico Artur Jorge como parte de um projeto de cinco anos. Lourenço reconheceu a vitória na Copa São Paulo de Futebol Júnior como sinal positivo, mas explicou que a reformulação da comissão e a saída de Fred Cascardo e Mairon César decorrem da busca por maior alinhamento técnico entre categorias e profissional.

Para justificar as alterações, o dirigente ressaltou a intenção de criar uma metodologia comum entre sub-17, sub-20 e o time principal. Segundo Lourenço, a prioridade é que jogadores integrados tenham já o padrão tático e comportamental exigido pelo profissional, o que reduziria o choque na transição. Como parte dessa estratégia, o clube contratou o português Pedro Duarte para o comando do sub-20 — técnico que, como Artur Jorge, tem passagem pelo Sporting Braga.

O presidente aproveitou o pronunciamento para rebater acusações do empresário Léo Moral, que afirmou haver "esquemas" dentro da Toca da Raposa e pediu a negociação de Rhuan Gabriel com o Palmeiras por falta de oportunidades. O Cruzeiro anunciou que tomará medidas judiciais contra o agente. Lourenço também explicou que a saída do técnico anterior estaria ligada à incapacidade de aplicar a integração requerida pelo clube, e não a favorecimentos na utilização de atletas.

Na avaliação do clube, há sinais concretos de que a política de aproveitamento da base pode dar resultado: o goleiro Otávio assumiu a titularidade após lesão e chegou a ser convocado para a seleção, enquanto outros jovens como Felipe Morais e Kaique Kenji receberam oportunidades com Artur Jorge. Ainda assim, a rotatividade de profissionais e a disputa pública com agentes expõem risco de descontinuidade e tensionam a relação com representantes — desafios que podem comprometer a meta de formação a médio prazo se não houver consistência e comunicação mais clara.