O Cruzeiro saiu vitorioso de Itaquera por 2 a 1 em partida que teve muito mais importância estratégica do que indicaria o calendário. Artur Jorge dosou o time a 72 horas do duelo decisivo com o Flamengo, poupando pilares como Fabrício Bruno, Gerson e Matheus Pereira, e mesmo assim colheu um resultado que confirma o bom momento da equipe no Brasileirão e na temporada.

O triunfo nasceu do coletivo: marcação alta, movimentação dos pontas e aproveitamento das oportunidades. Felipe Morais, João Costa e Bruno Rodrigues deixaram a impressão de terem sido escalados para decidir — e foram. A entrada de Gerson e Matheus Pereira no segundo tempo ajudou a controlar o meio e a ajustar o ritmo, enquanto Arroyo e Lucho Rodríguez trouxeram circulação que terminou na cabeçada decisiva de Wanderson.

Não foram porém 90 minutos sem sobressaltos. O Cruzeiro repetiu problemas já vistos quando jogou com força máxima: saída de bola por vezes lenta e exposição no meio que permitiu ao Corinthians explorar espaços; a bola aérea, por sua vez, foi o caminho do empate adversário. São fragilidades que podem custar caro diante de um Flamengo com ofensiva mais letal no Maracanã.

Mesmo assim, há sinais claros de evolução: a equipe já não depende exclusivamente das estrelas e mostra repertório para variar transições rápidas e jogo paciente. A invencibilidade como visitante — 11 partidas, aponta o retrospecto recente — e a capacidade de extrair retorno de um banco profundo dão ao Cruzeiro confiança para a final. Não há favoritismo declarado, mas há uma base tática e coletiva que complica o adversário e transforma o jogo no Maracanã em verdadeiro teste de maturidade.